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Sobre a Deficiência Visual |
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DISTROFIAS DA RETINA
O que são as Distrofias da Retina? As Distrofia de Retina, Coróide e Vítreo (DRCV) são afecções oculares que têm em comum o facto de provocarem a diminuição lenta e progressiva da visão. São bilaterais, hereditárias e manifestam-se depois do nascimento como resultado de uma alteração genética.
I. A Retina A retina situa-se na camada mais interna do globo ocular. É uma camada celular transparente e delicada que varia em espessura desde aproximadamente 0,5 mm na retina periférica e 0,4 mm na zona posterior ao equador. Na região do pólo posterior (a área da mácula) a retina tem aproximadamente 0,2 mm de espessura ao redor de uma área de 0,2 mm2. A retina sensorial consiste em dez estratos contendo três tipos de tecidos: neuronal, glial, e vascular. A componente neuronal consiste nas células fotoreceptoras. Aqui são convertidos sinais luminosos em impulsos nervosos que são integrados por um circuito que envolve as células horizontais, bipolares, amácrinas, e ganglionares. Estes impulsos são transmitidos pela camada de fibras nervosas que constituem o nervo óptico, ao longo das vias ópticas ao córtex visual, situado na parte posterior do cérebro. A camada dos fotorreceptores é composta por dois tipos de células, os bastonetes e os cones, sendo os primeiros mais numerosos, cerca de 120 milhões em cada olho. Estas células distribuem-se principalmente pela periferia da retina, permitem-nos ver em condições de baixa luminosidade dando uma vaga impressão dos objectos, contudo não nos permitem distingui-los. O outro tipo de células são os cones, que povoam principalmente a região central da retina conhecida por mácula, cada olho possui aproximadamente 6 milhões destas células. Estas permitem-nos ver sob condições de alta luminosidade e são responsáveis pela visualização de cores e pela acuidade visual, ou seja, são estas células que permitem a visão de detalhe dos objectos.
As Distrofia da Retina, Coróide e Vítreo (DRCV) são afecções oculares que têm em comum o facto de provocarem a diminuição lenta e progressiva da visão. São bilaterais, hereditárias e manifestam-se depois do nascimento como resultado de uma alteração genética. A - Distrofias da Retina As Distrofias da Retina incluem um número grande de doenças de carácter hereditário com alterações oculares mas algumas são acompanhadas de manifestações sistémicas. Todas são caracterizadas por uma degeneração progressiva dos fotorreceptores e do epitélio pigmentado. O termo Retinopatia Pigmentada (RP) é frequentemente usado como sinónimo para esta classe de doenças. São exemplos de Distrofias da Retina as seguintes doenças:
São alterações da camada vascular do olho. Dada a proximidade da coróide com a retina, quando uma das duas é afectada a outra também sofre em maior ou menor grau. São exemplos de distrofias da coróide:
C - Distrofias do Vítreo Pela inter-relação entre o vítreo e a retina, é muito difícil que quando uma das duas seja afectada a outra não sofra alterações. Contudo, nesta categoria de doenças, encontramos o predomínio das alterações que ocorrem a nível do vítreo. Entre as mais frequentes temos:
Os sintomas apresentados pelos portadores de distrofias oculares estão directamente relacionadas com o conjunto de células fotorreceptoras afectadas pela doença. As pessoas afectadas por distrofias que atingem principalmente os bastonetes, como a Retinopatia Pigmentada Típica e a Coroiderémia, apresentam os seguintes sintomas:
Introdução O nosso material genético é constituído por ADN. Nele existem cerca de 150000 genes. O ADN está contido nos cromossomas e determina todas as nossas características físicas. Os cromossomas estão presentes no núcleo de todas as nossas células. Cada célula possui 23 pares de cromossomas. Existem 22 pares de cromossomas idênticos, designados por autossomos e um par de cromossomas sexuais. No caso das mulheres, estes cromossomas são idênticos e designam-se por XX. Os homens possuem cromossomas diferentes, um X e um outro designando por Y. Uma criança herda metade dos cromossomas do pai e outra metade da mãe, consequentemente, metade das características de cada um. A mãe produz o óvulo que será fecundado pelo espermatozóide do pai. Estes tipos de células carregam metade do número normal de cromossomas, ou seja, 23 (as demais células carregam 23 pares ou seja 46 cromossomas). O cromossoma sexual do espermatozóide pode ser X ou Y, enquanto que o óvulo é sempre X, sendo, por isso, o sexo da criança determinado pelo tipo de cromossoma sexual que o espermatozóide transporta. Uma vez o óvulo fecundado pelo espermatozóide, dá-se origem a uma célula completa (com os 23 pares de cromossomas) conhecida por célula ovo ou zigoto. É a partir desta célula que acontece um dos fenómenos mais espectaculares da natureza, em que se formam todos os órgãos e tecidos (inclusive a retina) dando origem a um novo indivíduo. A RP pode ser determinada pela presença de um ou dois genes anormais, sendo, por isso, a sua transmissão feita de três formas: Autossómica Dominante, Autossómica Recessiva, Recessiva Ligada ao cromossoma X.
Autossómica Dominante
Autossómica Recessiva Haverá uma probabilidade de 25% (1 em 4) dos descendentes de um casal com estas características virem a sofrer da patologia em causa. Por outro lado, uma pessoa que sofra de uma DRCV, devido a este tipo de transmissão, se procriar com uma pessoa saudável, não terá nenhum descendente com os sintomas da doença. Contudo todos serão portadores do gene.
Ligada ao cromossoma X. No caso em que o homem sofre de uma DRCV, todos os seus descendentes masculinos serão saudáveis, uma vez que, neste caso o homem transmite sempre o cromossoma Y que não está afectado. Por outro lado, todas as suas filhas serão portadoras do gene defeituoso, contudo, como vimos antes, dificilmente estas apresentam os sintomas da doença. No caso em que a mãe é a portadora sã, as filhas terão 50% de probabilidades de serem portadoras não afectadas e os filhos terão 50% de probabilidades de serem doentes.
Alguns dados estatísticos:
Existem medicamentos prejudiciais à retina que os afectados por doenças degenerativas da retina devem evitar. Não se auto-medique e alerte o seu médico para a contra-indicação dos seguintes medicamentos:
O aconselhamento e a identificação genética são fundamentais, quer para a prevenção das doenças degenerativas da retina, quer para a aplicação de futuras terapias. O uso de óculos com filtros adequados é recomendado a todos os afectados.
Novidades nas pesquisas que visam o tratamento das Doenças Degenerativas da Retina Estamos a viver tempos de muita esperança. São muitos os testes clínicos em andamento visando tratar e curar as doenças degenerativas da retina. Os grandes avanços na genética e na terapia celular nos aproximam cada vez mais de nossos desejos: chegar ao tratamento da retinose pigmentar, da doença de stargardt, da síndrome de usher, da amaurose congênita de leber e da degeneração macular seca e exudativa, entre outras degenerações retinianas. Os testes clínicos que estão sendo feitos com pessoas, envolvem 3 fases: a primeira testa a segurança do medicamento ou da terapia e cobre um pequeno grupo de pacientes; a segunda fase testa segurança e eficácia e tem lugar em vários centros de pesquisa, envolvendo muitos pacientes. A fase 3 já se dá com maior nível de segurança e eficácia e busca ter resultados numéricos maiores e em geral cobre vários paises.Destacamos os ais importantes: Testes clínicos com a Terapia da Célula Encapsulada para RP e DMRI Realizados pela empresa Neurotech nos Estados Unidos, essa terapia consiste na aplicação de um agente de sobrevivência neuronal, o CNTF(ciliary neurotrophic factor - células que foram geneticamente transformadas para produzir o fator terapêutico) que reduziu a degeneração retiniana causada pela Retinose Pigmentar, em modelos animais e agora está sendo usado em pacientes com retinose pigmentar. Uma pequena cápsula de cerca de meio centímetro é colocada dentro do olho, liberando CNTF gradualmente. Esse fator produz a sobrevivência dos neurônios das células fotoreceptoras por um longo período(18 meses). A Neurotech está testando a segurança e a eficácia dessa terapia, tendo já concluído a Fase I com pacientes, encontrando-se na fase II/III em três centros clínicos. Estão em andamento 3 testes clínicos usando os fatores neurotróficos ECT e CNTF:
Teste clínico com o medicamento FENRETINIDE para DMRI atrófica. A empresa americana Sirion Therapeutics está na fase II do teste clínico com pacientes com DMRI atrófica, envolvendo vários centros de pesquisa. Acredita-se que com o sucesso dessa terapia, ela poderá ser estendida aos pacientes com DOENÇA DE STARGARDT. (ver mais informação na pagina da Foundation Fighting Blindness). Ver também buscando por “fenretinide AMD” .
Existem cerca de 30 grupos de pesquisa nessa área. Há quatro tipos de implantes sendo pesquisados:
1) a prótese subretiniana (Dr. Alan Chow em Chicago), que suspendeu os
testes, por falta de resultados e falência da empresa Optobionics, que financiava o teste. Na Alemanha contudo, 8 pacientes vêm sendo testados pelo dr. Eberhart Zrenner
com a prótese subretiniana, apresentando bons resultados;
1) Para a Retinose Pigmentar (RP) – o dr. Theo Van Veen, na Suécia, preparou o medicamento RETINACOMPLEX, para combater o stress oxidativo que contribui para o agravamento da degeneração dos fotoreceptores. Foram testados, com bom resultados, modelos animais com Retinose Pigmentar. Mais informações podem ser obtidas pela internet (www.retinacomplex.com). 2) Para a Retinose Pigmentar (RP) - A Foundation Fighting Blindness (Estados Unidos) vem apoiando pesquisa sobre suplementos nutritivos com Vitamina A Palmitato combinada ao Acido Graxo DHA Omega 3 (docosahexanoic acid) na expectativa de que esta dieta suplementar reduza a perda de visão de pacientes com RP. Fontes de Omega 3 incluem: salmão, atum, sardinha. 3) Para Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI): o estudo AREDS 1, do início da década, mostrou a eficácia do uso de antioxidantes, zinco, luteina e zeaxantina para pacientes com DMRI neovascular ou atrofia geográfica. Na segunda fase, AREDS 2, estão sendo testados a administração de luteína, zeaxantina e/ou omega 3 (ácidos grassos poliinsaturados (DHA e EPA) para DMRI e catarata. O estudo abrange 4.000 pessoas em 82 clínicas durante 5 anos de acompanhamento de pacientes. 4) Para Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) pesquisa financiada pela Foundation Fighting Blindness na Universidade de Harvard, Estados Unidos mostrou que uma dieta rica em gordura está associada a uma perda de visão mais rápida nos casos de DMRI. Por outro lado, dietas envolvendo consumo de peixes e nozes, ricos em ácidos graxos omega 3 levam à preservação da visão por mais tempo.
Mais de 130 genes foram identificados pelos geneticistas, com mutações que levam às doenças degenerativas da retina. A identificação destes genes é um passo importante para compreender o desenvolvimento dessas doenças e é fundamental para o desenvolvimento das terapias de reposição genética e biofarmacêutica. Cientistas ligados à Foundation Fighting Blindness encontraram variações em três genes em 74% dos casos de Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Essa descoberta traz novas possibilidades de tratamentos efetivos, mostrando o papel da herança genética na DMRI.
1) para a Amaurose Congénita de Leber (gene RPE65) - estão sendo realizados, em parceria, no Instituto de Oftalmologia da Universidade da Califórnia (dr. Robin Ali) e no Hospital Moorfields em Londres, testes clínicos com pacientes ( fase I). Na pesquisa inglesa, com três jovens com Leber, um paciente já apresentou melhora na visão na fase I. Os testes continuam e vão incluir doses maiores da terapia e a inclusão de crianças no teste clínico. A Foundation Fighting Blindness dos Estados Unidos está financiando esse estudo e também o da Universidade da Pensilvânia, que deve começar brevemente. Essa terapia genética, realizada com 50 cães cegos devido à Amaurose Congênita de Leber, teve sucesso, com a melhoria da visão dos animais e mostrou estabilidade nos resultados (a visão dos cães não regrediu). 2) para Amaurose Congénita de Leber de tipo recessivo(gene RPGRIP) – pesquisadores ligados à Foundation Fighting Blindness (EU) desenvolveram uma terapia de reposição genética para recuperar os fotorreceptores de camundongos com Amaurose Congênita de Leber de tipo recessivo, resultante de uma mutação no gene RPGRIP. O tratamento recuperou os fotorreceptores dos animais que tiveram sua função retiniana normalizada. 3) Terapia genética usando fator neurotrófico para a DMRI seca e exudativa. A empresa GENVEC está usando um adenovirus modificado como vetor do gene que carrega o fator derivado do epitélio pigmentar (PEDF), uma proteína que tem o papel de agente anti-neovascular e fator de sobrevivência dos neurônios. Os testes clínicos da Genvec estão em fase I-II para 50 pacientes com DMRI exudativa, sem ter encontrado efeitos adversos até o momento. 4) Síndrome de Usher 1B – pesquisadores da Foundation Fighting Blindness estão desenvolvendo uma terapia para Usher 1B, a forma mais comum de doença que combina perda de visão e de audição. Um modelo animal Usher 1B, está sendo tratado na Universidade da Califórnia em San Diego e em Los Angeles, com a administração do gene normal Usher 1B no olho do animal. O objetivo é prevenir a degeneração retiniana colocando uma cópia do gene USH1B normal nas células da retina, de modo a produzir uma proteína normal que previna a degeneração da retina. 5) Síndrome de Usher 3 – na Universidade da Califórnia em Berkeley, pesquisadores estão desenvolvendo, através da engenharia genética, um modelo de camundongo com Usher 3. Esse modelo animal vai permitir testes clínicos de terapia genética para Usher 3. 6) Doença de Stargardt – O Instituto de Pesquisa da Neurovisão (National Neurovision Research Institute, NNRI) , ligado à Foundation Fighting Blindness nos Estados Unidos estabeleceu parceria com a companhia de produtos biofarmacêuticos britânica Oxford Biomédica, para desenvolver a terapia de reposição genética para tratar a doença de Stargardt e outras doenças degenerativas causadas por um defeito no gene ABCA4. O objetivo do projeto StarGen™ é dar início à Fase I do teste clínico. 7) Coroideremia - pesquisadores da Faculdade de Medicina do Imperial College de Londres estão investigando a terapia genética para o tratamento da coroideremia, causada por uma mutação no gene REP-1. O grupo de pesquisa está avaliando a segurança e a eficácia de dois tipos de vetores virais, através da engenharia genética, para levarem um gene normal à retina de camundongos. 8) Retinosquisis – uma terapia genética visando o tratamento da retinoschisis ligada ao cromossoma X (XLRS - X-linked retinoschisis) está sendo pesquisada por cientistas do Canadá, Alemanha e Estados Unidos. Modelos animais ratinhos, com retinoschisis estão sendo testados com terapia genética para deter a perda da visão. Os testes clínicos com células tronco estão ainda na fase de testes com modelos animais e os cientistas ainda não têm previsão de tempo até que possam testar em pessoas. Uma equipe de pesquisadores de vários países conseguiu restaurar a visão de ratinhos com retinose pigmentar através do transplante de células fotorreceptoras imaturas. Essas células transplantadas tornaram-se células retinianas e integraram-se à retina do animal. Pesquisadores da Foundation Fighting Blindness, usaram células do cordão umbilical e do tecido neural para restaurar a visão de modelos animais com doenças degenerativas da retina (ratinhos)
Fonte: Retina Internacional
Novos tratamentos das Degenerações da Retina
RELATÓRIO SOBRE O 16° CONGRESSO MUNDIAL
Os novos tratamentos das Degenerações da Retina classificam-se em 2 categorias:
1. APARELHOS ELETRÔNICOS – A RETINA ARTIFICIAL A empresa “Second Sight” dos EUA que está pesquisando outro chip eletrônico não se manifestou no Congresso da RI, mas sim na Conferência da ARVO que aconteceu nos Estados Unidos em maio. Eles informaram que foram feitos testes em 11 centros
com 32 pacientes. Após o implante do aparelho Argus2, os pacientes conseguiram localizar uma porta, andar sobre uma linha branca e detectar um quadrado numa tela de LCD. O Prof. Botond Roska apresentou sua nova pesquisa a qual foi publicada na revista SCIENCE no dia 24 de junho de 2010. Seu trabalho retrata a transferência genética do canal da rodopsina, uma proteína sensível à luz, derivada de algas, para as células restantes criarem fotosensibilidade. O trabalho do Prof. John Flannery nessa área não foi mostrado no Congresso, mas sim na ARVO. O grupo está usando um AAV para liberar a luz projetada no receptor glumato ativado (LiGluR) para a retina em diferentes modelos de ratos de Retinose Pigmentar (RP). O LiGluR integrou-se com sucesso nas membranas celulares ganglionares da retina e eles detectaram reação à luz. Esta técnica é promissora no tratamento da retina, onde as células fotorreceptoras sofreram danos ou estão degeneradas, mas as células ganglionares da retina têm que estar ainda intactas. O Prof. Chader disse que o trabalho com "photoswitches" está ainda começando. Somente um ou outro trabalho está mais adiantado. Os que estão usando comprimento de onda podem causar danos na retina e alguns reagem à luz vagarosamente a ponto de não serem úteis para a visão humana. No entanto, os photoswitches poderão ainda ser funcionais para a visão, se os problemas citados acima forem superados.
2. MODIFICADORES DAS CÉLULAS VISUAIS Intervenção Farmacêutica: O Professor Rob Koenekoop do Canadá falou sobre a pesquisa com o QLT que foi feita a curto prazo para testar pacientes com Amaurose Congênita de Leber com uma forma oral de 11 cis-retinal. O teste com 3 pacientes durou somente 7 dias, mas todos os 3 tiveram melhora na Acuidade Visual e melhor qualidade de vida. Exemplo: melhoraram a leitura, essa melhora continuou depois que o tratamento cessou. Uma pesquisa mais abrangente está sendo planejada. 3. ANTIOXIDANTES
4. TERAPIA GENÉTICA - Professor Chader: “A terapia de substituição genética é a troca de um gene imperfeito nas células vivas por um novo, uma cópia normal do gene. Esse novo gene sintetizará a proteína perdida e restaurará a função da célula fotorreceptora. A longo prazo tem se mostrado positivos os efeitos da Terapia Genética em RP em modelos animais, até mesmo em tratamentos que foram feitos em um estágio adiantado da doença, quando a perda das células fotorreceptoras já foi significativa”. - Professora Jean Bennet: Ela falou sobre a terapia de substituição genética no gene RPE65 para a doença Amaurose Congênita de Leber. Os 4 testes internacionais tiveram sucesso na restauração da visão, mas os pacientes mais jovens tiveram melhores resultados. Ela reexaminou 31 pacientes que haviam sido tratados há 3 anos. Houve 2 acontecimentos negativos: um buraco de mácula e um descolamento da retina. A visão melhorou em 28 pacientes. Novos testes foram examinados com doses gradativas tratando pacientes mais jovens, eles também testarão o tratamento no segundo olho dos pacientes. 5. FUTUROS TESTES DE TERAPIA GENÉTICA
Excelentes trabalhos foram expostos sobre a DMRI por vários palestrantes como Professor Joe Hollyfield, Alan Bird e Johanna Seddon. O Professor Joe Hollyfield é o co-presidente do RI SMAB e também recebeu o certificado de reconhecimento
pela Retina Internacional. Os indivíduos acima de 55 anos estão no grupo de risco e drusas estão presentes na doença na forma inicial. Certos fatores não são modificáveis como idade e genética, mas outros factores também são modificáveis como: dieta, ingestão de nutrientes, fumo, índice de massa corporal, nível do colesterol e hipertensão. A Dra. Seddon aconselhou os pacientes com DMRI a incluírem na sua dieta:
Fumar 25 cigarros por dia aumenta o risco de DMRI em 2,4 vezes. “Associações entre genes e factores modificadores como dieta e suplemento, fumo e aumento de peso têm mostrado que esses factores podem alterar a susceptibilidade genética e
juntos podem levar à DMRI” – Dra. Johanna Seddon.
Excerto do RELATÓRIO SOBRE O 16° CONGRESSO MUNDIAL DA RETINA INTERNACIONAL em
Stresa, Itália - de 22 a 28 de Junho de 2010 Fonte: Relatório in Grupo Retina São Paulo - texto integral
actualizado por
MJA Degenerescência Macular
O que é a DMRI?
A DMRI pode surgir como parte do processo natural de envelhecimento. do corpo. Existem
dois tipos mais comuns de DMRI: a forma atrófica e a forma exsudativa DMRI ATRÓFICA: DMRI EXSUDATIVA:
Como é que é tratada a DMRI? Teste a visão com a grelha de Amsler: Para usar a grelha Amsler:
Terapia Fotodinâmica
A fotocoagulação laser permite tratar apenas cerca de 15 a 20%, isto é, uma em cada
6 pessoas afectadas, e, em metade destes, a membrana recidiva após o tratamento. Dada a
gravidade da doença e o seu mau prognóstico têm sido tentadas novas formas de
tratamento ao longo dos últimos anos. A radioterapia, o Interferon alfa e a remoção
cirúrgica dos neovasos foram algumas das terapêuticas tentadas. Contudo, ainda não foi
provado qualquer benefício destes tratamentos através de estudos multicêntricos,
randomizados e duplamente ocultos. Uma nova forma de tratamento, chamada terapia fotodinâmica com Verteporfina, mostrou
ser eficaz e segura no tratamento de casos bem seleccionados de DMRI exsudativa. Para
compreender como actua a TFD é necessário perceber como é que a DMRI exsudativa provoca
diminuição da acuidade visual. Os vasos anormais permitem a saída de sangue e
lipoproteinas e a consequente formação de uma cicatriz fibrosa na mácula, com perda
acentuada de visão. O conceito de TFD baseia-se na possibilidade de selectivamente ocluir
os vasos anormais, eliminando o derrame, sem danificar gravemente a retina como sucedia
com a fotocoagulação laser. O tratamento é efectuado em duas fases. Primeiro é injectado um produto fotosensível
a verteporfina que se fixa selectivamente aos vasos anormais. 15 minutos após o início
da injecção este produto é activado através de um feixe de laser não térmico com um
comprimento de onda específico (não lesa os tecidos) o qual vai activar o produto retido
nos vasos anormais. A activação provoca oclusão dos vasos anormais e a consequente
paragem da saída de fluído e sangue. Com o tempo o organismo reabsorve o fluido e sangue
previamente existentes. A perda de acuidade visual devida à DMRI exsudativa pode assim
ser minorada. Na maioria dos casos assiste-se a uma estabilização da acuidade visual e
em cerca de 13 % dos casos existe mesmo melhoria da visão. Com o decorrer do tempo os neovasos podem permeabilizar novamente, ou podem surgir
novos neovasos. Assim, torna-se necessário reavaliar os pacientes periodicamente e
efectuar novo tratamento se necessário. Em regra os pacientes tratados são reavaliados
cerca de 12 semanas após o tratamento e se necessário pode ser efectuado novo tratamento
com segurança. Em média são necessários 5 tratamentos em dois anos para poder ocluir
os neovasos. A TFD com Verteporfina mostrou igualmente ser eficaz em outro tipo de neovasos,
nomeadamente na alta miopia, nas estrias angióides e na coroidite multifocal. A alta
miopia (em regra superior a 6 dioptrias) é a causa principal de membranas coroideias em
adultos até aos 50 anos. Estas membranas podem implicar uma perda de visão muito marcada
já que a grande maioria localiza-se debaixo da fóvea (a parte central da retina
responsável pela visão de pormenor e que permite ler, escrever ou conduzir). Perguntas mais frequentemente efectuadas: Como é que eu sei se o tipo de DMRI que eu tenho tem indicação para a TFD? O tratamento tem efeitos secundários? Porque é que eu preciso de tantos tratamentos? A TFD permite a oclusão dos neovasos. Mas eles podem abrir novamente e derramar fluido
e sangue provocando mais perda de visão. Podem igualmente surgir novos vasos anormais.
Pode mesmo suceder que a membrana continue a crescer apesar do tratamento. Cerca de 7% das
pessoas tratadas só precisam de um tratamento, 16% precisam de dois, mas a maioria
precisa de mais. Em média são necessários 5 tratamentos. Passado quanto tempo é que se nota o efeito do tratamento? As pessoas tratadas podem notar melhoria da visão nas horas seguintes ao tratamento.
Contudo, o mais frequente é notar-se uma melhoria ou estabilização da acuidade visual
durante o primeiro mês a seguir ao tratamento devidas à oclusão dos neovasos e à
reabsorção do derrame existente. À medida que se aproxima o 3º mês após o tratamento
pode verificar-se um agravamento da acuidade visual que significa que os vasos anormais
estão novamente permeáveis e a permitir a saída de fluido e ou sangue. Que vantagens e desvantagens é que tem este tratamento sobre os que se efectuavam
anteriormente? A fotocoagulação laser queima os neovasos mas também os tecidos que o rodeiam, isto,
queima a retina e o epitélio pigmentado. Ao queimar a retina destrói as células
responsáveis pela visão existentes na zona tratada e ao queimar o epitélio pigmentado
impede o normal funcionamento da retina. No entanto continua a ser o tratamento de escolha
quando os neovasos não estão situados debaixo da fóvea (as membranas coroideias
extra-foveais). Por sua vez a remoção cirúrgica dos neovasos implica também a
remoção de células do epitélio pigmentado e da retina. Muito raramente os olhos
operados têm acuidade visual final maior que 1/10. A terapia fotodinâmica com Verteporfina não lesa definitivamente os tecidos circundantes da membrana. Destrói apenas os neovasos. Tem como desvantagem o facto de serem necessários vários tratamentos para se conseguir fechar definitivamente os neovasose de se desconhecerem os resultados para além de 3 anos de evolução após o tratamento.
INFORMAÇÕES Este documento de informação tem como objectivo esclarecê-lo completamente sobre o
tratamento com VisudyneTM .
Em que casos é utilizado o Visudyne: Quais as precauções a tomar na utilização do Visudyne: O Visudyne pode ser utilizado em mulheres grávidas ou a amamentar? Interacção do Visudyne com outros medicamentos: Como é feito o tratamento com Visudyne? Durante algumas horas após o tratamento a sua visão poderá ficar pouco nítida,
devido às gotas oculares usadas para preparar os olhos para o tratamento. Como já foi
referido deve sempre utilizar óculos escuros e, durante este tempo deve evitar conduzir
veículos ou operar máquinas. Durante a injecção de Visudyne pode acontecer que parte
do medicamento saia para fora da veia. Se isso acontecer é possível que sinta alguma dor
no local da injecção e que a zona afectada fique vermelha. A pele afectada deverá ser
protegida da luz durante alguns dias. Um reduzido número de doentes apresentou dores nas
costas e/ou náuseas durante a injecção, tendo os sintomas desaparecido no momento em
que terminou a aplicação da injecção. Entre outros efeitos secundários deste tratamento consideram-se: redução da visão
(se existir oclusão de vasos sanguíneos normais), hemorrogia no interior do olho,
alteração da visão, dor ocular e vermelhidão. Alguns destes sintomas/sinais podem ser
consequência da própria doença. Uma perda acentuada de visão foi descrita em 1-4% dos
pacientes tratados nos primeiros 7 dias após o tratamento. Alguns dos doentes tratados
registaram um ou mais dos efeitos secundários referidos em seguida: dor de cabeça,
tonturas e diminuição da pressão sanguínea. A segurança e eficácia do tratamento com
VisudyneTM não foi demonstrada para além dos 2 anos. Dr. Rufino Silva Tratamentos disponíveis para a DMI Ângela Carneiro 2007 A forma seca ou atrófica da DMI não é tratável, apenas se pode fazer suplementação com vitaminas e anti-oxidantes, que nas doses apropriadas parecem diminuir o risco de evolução para as formas avançadas da doença.Para a forma exsudativa há tratamento, devendo a terapêutica ser iniciada o mais precocemente possível. Até ao ano 2000 o único tratamento disponível para a DMI exsudativa era o laser. Contudo, só permitia tratar um pequeno número de doentes que apresentavam lesões no fundo de olho com características bem definidas. Além disso era um tratamento destrutivo que visava a destruição dos neovasos mas em simultâneo provocava uma queimadura da retina, o que levava, só por si, a perda visual grave. Em 2000 surgiu a terapia foto-dinâmica com verteporfina (Visudyne ®), sendo o primeiro tratamento selectivo que permitia destruir os neovasos com relativa preservação da retina adjacente. Contudo, não permitia tratar todas as lesões que aparecem na prática clínica e apesar do tratamento a visão dos doentes continuava em média a diminuir, só que menos que nos doentes não tratados. Em 2004 começaram a surgir novos tratamentos com injecções intra-vítreas de medicamentos anti-angiogénicos. São injecções realizadas no globo ocular de medicamentos que permitem inibir o crescimento dos vasos anómalos. Quando realizadas por oftalmologistas treinados e em condições de assepsia, são relativamente indolores e seguras. São efectuadas em regime de ambulatório (isto é, não requerem internamento). Neste momento em Portugal existem dois medicamentos aprovados para o tratamento da DMI exsudativa: o pegaptanib (Macugen®) e o ranibizumab (Lucentis®), que necessitam aplicação de 6/6 ou de 4/4 semanas, respectivamente. Há ainda um terceiro medicamento, que foi aprovado em uso endovenoso para tratamento de neoplasias cólon-rectais metastizadas, o bevacizumab (Avastin®), que pode ser usado em injecção intravítrea off-label ou seja, fora da indicação constante na bula do medicamento. O Macugen®, foi o primeiro a estar disponível comercialmente, podendo ser usado para tratar maior número de lesões do que o Visudyne ®. Contudo, a visão média dos olhos tratados é semelhante à dos doentes submetidos a terapia foto-dinâmica, continuando a diminuir ao longo do tempo. Os outros dois medicamentos apresentam melhores resultados visuais. O Lucentis® mostrou resultados em estudos de estabilização visual em mais de 90% dos doentes tratados e melhoria da visão em cerca de 70% dos doentes. Permite, por outro lado, impedir novos casos de cegueira legal e manter visão de leitura numa percentagem considerável de doentes. O Avastin® em uso off-label implica aceitação mais informada pelo doente dos potenciais riscos, mas parece ser eficaz e seguro a curto prazo.
Como se realizam os tratamentos? As injecções intra-vítreas devem ser realizadas ou em blocos ou em salas que
reúnam as condições de assepsia necessárias, para evitar ao máximo o risco de
infecções intra-oculares graves (endoftalmites).
O doente fica tratado e curado?
Onde podem ser realizados os tratamentos para a DMI? A nível do Sistema Nacional de Saúde, são sobretudo os hospitais centrais que
neste momento dispõem dos fármacos e reúnem as condições para efectuar
tratamentos, quer a nível de pessoal médico e técnico, quer de meios auxiliares
de diagnóstico para acompanhamento dos doentes.
Fonte: Sindicato dos Bancários do Norte
Lucentis [ranibizumab]
European Medicines Agency, 2011 Este documento é um resumo do Relatório Público Europeu de Avaliação (EPAR) relativo ao Lucentis. O seu objectivo é explicar o modo como o Comité dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP) avaliou o medicamento a fim de emitir um parecer favorável à concessão de uma autorização de introdução no mercado, bem como as suas recomendações sobre as condições de utilização do Lucentis.
Estas doenças afectam a parte central da retina denominada mácula, localizada no fundo do olho. A mácula é responsável pela visão central necessária para ver os pormenores essenciais à realização de tarefas quotidianas tais como conduzir, ler e reconhecer rostos. A lesão da mácula causa a perda de visão central. Estas doenças envolvem a perda de fluido nos vasos sanguíneos existentes sob a mácula, causando inchaço. O medicamento só pode ser obtido mediante receita médica.
É administrada uma injecção todos os meses até que o nível máximo de visão seja atingido e mantido estável durante três meses consecutivos. A visão do doente deve ser controlada todos os meses e o tratamento deve ser retomado se a sua visão tiver piorado devido à doença. O intervalo entre duas injecções de Lucentis tem de ser sempre de pelo menos um mês. Antes de cada injecção é administrado um anestésico local de forma a reduzir ou a evitar a dor causada pela injecção. O olho, a pálpebra e a pele em torno do olho são desinfectados. São administradas gotas de antibiótico durante três dias antes e após a injecção, de modo a prevenir a ocorrência de infecções oculares. Os doentes são instruídos sobre como administrar as gotas a si próprios.
O ranibizumab foi concebido para bloquear uma substância chamada factor de crescimento endotelial vascular A (VEGF-A). A VEGF-A é uma proteína que faz com que os vasos
sanguíneos se desenvolvam e derramem fluido e sangue. Estes efeitos agravam a lesão da mácula. Ao bloquear este factor, o
No edema macular diabético, o Lucentis foi mais eficaz na melhoria da visão do que os comparadores. No primeiro estudo, ao fim de um ano, os doentes que
receberam o Lucentis conseguiam ver cerca de seis letras mais do que os que receberam injecções simuladas. No segundo estudo, os doentes que receberam o Lucentis
isoladamente ou como adjuvante da fotocoagulação laser conseguiam ver, ao fim
Embora tal aconteça raramente, poderão verificar-se, após o tratamento com o Lucentis, endoftalmite (infecção no interior do olho), inflamação grave do olho, danos na retina e cataratas (turvação do cristalino). É importante tratar estes problemas o mais rapidamente possível. Os respectivos sintomas e as instruções sobre as medidas a tomar caso um doente os apresente são explicados no Folheto Informativo. As injecções no olho podem também causar um aumento temporário da tensão ocular. O seu oftalmologista irá verificá-la após a injecção e, caso necessário, tomará as devidas medidas correctivas. O Lucentis não deve ser utilizado em doentes que possam apresentar hipersensibilidade (ser alérgicos) ao ranibizumab ou a qualquer outro componente do medicamento. A sua utilização é contraindicada em doentes que tenham uma infecção no olho ou em torno do mesmo, ou que apresentem uma inflamação grave no interior do olho.
O EPAR completo sobre o Lucentis pode ser consultado no sítio Internet da Agência, aqui. Para mais informações sobre o tratamento com o Lucentis, leia o Folheto Informativo (também parte do EPAR) ou contacte o seu médico ou farmacêutico.
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MJA Degeneração Macular e detecção de drusas Louis Filipe Pereira Castelo Branco 2009 [Excerto de Dissertação apresentada para obtenção do
1. Degeneração Macular Relacionada com a Idade - DMRI Apesar do facto da degeneração macular relacionada com a idade (DMRI) ser a principal causa oficial da perda de visão agravada e cegueira em pessoas com mais de cinquenta anos nos países desenvolvidos, é ainda uma patologia da qual pouco se sabe. A DMRI é definida como uma doença crónica e degenerativa que destrói gradualmente a área central da retina, a mácula, devido à acumulação de materiais extracelulares, incidindo especialmente sobre a população acima dos cinquenta anos. Além da deterioração da visão central, um dos sintomas mais comuns da DMRI é o aparecimento de drusas na retina.
2. DMRI seca A DMRI seca é a forma mais comum da degeneração macular sendo responsável para 85% a 90% dos casos diagnosticados. Normalmente ambos os olhos são afectados embora seja possível que ocorra apenas num. Numa etapa inicial, a DMRI seca vai-se desenvolvendo com o aparecimento de drusas entre o epitélio pigmentado da retina e a membrana de Bruch que serão ainda assintomáticas. A sucessiva acumulação de drusas passa a deteriorar a camada acima, o epitélio pigmentado da retina (EPR), acabando por danificar a camada de fotorreceptores resultando em pontos cegos ou desfocados na área da visão central. Com o avanço da doença, mais células de EPR e fotorreceptores são destruídas contribuindo para o aumento do número e tamanho das drusas o que leva ao aparecimento de mais e maiores pontos cegos. Com o agravamento da doença, a possibilidade de se desenvolver para a forma mais severa de DMRI húmida aumenta significativamente; cerca de 43% de doentes com DMRI seca avançada poderão passar à forma húmida no espaço de cinco anos.
Esta forma de degeneração macular mais severa recebe o seu nome devido à existência de sangue nas camadas mais profundas da retina. Num processo chamado neovascularização coroidal (NVC), vasos sanguíneos novos, e anormais, começam-se a desenvolver espontaneamente por baixo da retina. Simultaneamente, a membrana de Bruch vai-se deteriorando por acção das drusas acabando os novos vasos sanguíneos por penetrar na retina. Sendo ainda fracos, estes novos vasos deixam escapar algum conteúdo sanguíneo dentro da retina que separa e levanta outras camadas como uma bolha. Este processo acaba por danificar os fotorreceptores de uma forma rápida e irreversível ao ponto de não conseguirem transmitir os sinais visuais ao cérebro. De acordo com o padrão de NVC presente na retina, existem vários tipos de DMRI húmida com diferentes sintomas visuais como a metamorfopsia (distorção), a scotoma (ponto cego central) e a perda de sensibilidade ao contraste. Embora a DMRI húmida possa surgir de forma espontânea, é normalmente precedida pela DMRI seca. A DMRI húmida é mais grave mas não é tão frequente, sendo responsável por 10% a 15% de todos os casos de degeneração macular.
As drusas são acumulações muito pequenas, amarelas ou brancas, de material extracelular resultante do metabolismo que se aglomeram atrás da retina, entre o epitélio pigmentado da retina e a membrana de Bruch. A presença de algumas drusas pequenas (‘duras’) é normal com o avançar da idade e, a maior parte da população acima dos quarenta terá algumas drusas ‘duras’. No entanto, a presença de drusas maiores (‘moles’) e em maior número, na mácula, é um indicador comum da degeneração macular relacionada com a idade (DMRI). Se são as drusas em si que originam a DMRI, ou se são apenas sintomáticas de um processo subjacente que as produz, e causa a DMRI, ainda não se sabe ao certo, mas apontam para um risco acrescido de vir a desenvolver a DMRI. Existem vários elementos traço nas drusas sendo o zinco aquele com maior concentração. Ao envelhecer, a membrana de Bruch torna-se mais espessa, atrasando o transporte de metabolitos da
coróide para o EPR, o que poderá levar à formação das drusas na DMRI. Existe também uma acumulação
de depósitos na membrana (Basal Linear Deposits, BLinD, e Basal Lamellar Deposits, BLamD)
maioritariamente constituidos por fosfolípidos, e que aparenta ser mais concentrada na mácula do que na
retina periférica. Este acumular de depósitos desfragmenta a membrana de Bruch numa estrutura lamelar e
folhada em vez de constituir uma barreira. Esta nova estrutura é propícia para que mediadores
inflamatórios e neovasculares influenciem o crescimento de vasos coroidais para dentro, e além, desta
membrana, destruindo assim a arquitectura da crucial retina externa, culminando com a perda da visão
central, i.e., a degeneração macular. Actualmente o diagnóstico da existência de drusas pode ser feito de forma manual ou automática, embora estas técnicas ainda não estejam muito divulgadas devido à dificuldade de se encontrar métodos com a sensibilidade e especificidade adequadas. O modo manual consiste em detectar visualmente e avaliar qualitativamente as manchas de drusas presentes em imagens da retina obtidas através de técnicas de retinografia como a fotografia de fundus, varrimento laser ou angiografia. O modo automático tem vindo a ser melhorado desde o aparecimento do primeiro trabalho importante de detecção automática não supervisionada de manchas de drusas em imagens de retinografia de Peli e Lahav em 1986. Este tipo de detecção limita-se às drusas duras, mas permite uma análise menos subjectiva e mais quantitativa e qualitativamente correcta. ☼ O texto apresentado acima é um excerto da:
Dissertação apresentada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Biomédica em Lisboa, 2009 NOTA: Para mais informações sobre detecção automática de drusas em imagens de retinografia ler AQUI. [MJA] download: texto integral da dissertação em PDF.
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MJA Coroideremia
Os homens afetados pela coroideremia, passam sempre o cromossoma X com a doença para as filhas e não transmitem a doença para os filhos homens, porque o pai passa sempre o cromossoma Y (não afetado) para o filho homem.
Retinopatia Pigmentar
Os sintomas começam geralmente, entre os 10 e os 30 anos e a progressão da doença é variável, apresentando visão em túnel nas fases avançadas. A fundoscopia revela atrofia do EPR, hiperpigmentação na periferia da retina e um disco ótico médio. A presença de células no vítreo é frequente e alguns doentes desenvolvem edema macular cistóide. As alterações do pigmento macular conferem uma aparência em “bull’s eye”.
As doenças sistémicas associadas com retinopatia pigmentar incluem um grande espectro de doenças com diversificados achados cromossómicos, metabólicos e morfológicos:
Todas as doenças deste grupo são degenerescências ou distrofias, determinadas geneticamente, e em todas a progressiva degenerescência dos fotorrecetores causa defeitos no campo visual, problemas de visão noturna e de visão central.
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MJA Retinose pigmentar
O que é a retinose pigmentar?
A cegueira noturna é um dos sintomas iniciais e mais freqüentes da RP. Pessoas com degeneração nos cones apresentam primeiramente a diminuição da visão central e capacidade de discriminar as cores. A RP é tipicamente diagnosticada em adolescentes e adultos jovens. É uma doença progressiva. A taxa de progressão e grau de perda visual varia de pessoa para pessoa. Em famílias com RP ligada ao cromossomo X, os homens são mais frequente e severamente afetados. As mulheres que carregam o traço genético apresentam a perda de visão com menos frequência.
As mutações genéticas podem ser passadas de pais para filhos através de um dos três padrões de herança genética – autossômica recessiva, autossômica dominante ou ligada ao cromossoma X. Nos autossômicos recessivos, os pais que carregam o gene, mas não têm sintomas podem ter filhos afetados e outros não. Da mesma forma, na RP autossômica dominante, um pai afetado pode ter filhos afetados e não afetados. Em famílias com RP ligada ao cromossoma X, apenas os homens são afetados. As mulheres carregam o traço genético, mas não desenvolvem a perda severa da visão. Se um membro da família é diagnosticado com RP, recomenda-se fortemente que os outros membros da família também passem pela avaliação de um especialista diagnosticar adequadamente uma eventual doença degenerativa da retina. Discutir padrões de herança e planejamento familiar com um especialista também pode ser útil.
Apesar de não existir um tratamento para a RP, é importante saber que os cuidados com baixa visão são muito úteis para manter a independência dos pacientes. Especialistas no assunto podem fazer recomendações sobre mecânica, óptica, eletrônica e outras tecnologias baseadas em produtos voltados para pessoas com baixa visão.
No entanto, nem todos os genes que causam a RP foram descobertos. Se uma pessoa optar por realizar os testes genéticos, há cerca de 50% de chance de se diagnosticar o gene causador da doença.
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MJA AMAUROSE CONGÉNITA DE LEBER Dr.ª Flávia Guimarães Paschoalino
A Amaurose Congénita de Leber (ACL) é a designação para um grupo de
distrofias retinianas de acometimento precoce, de carácter hereditário,
caracterizada por deficiência visual moderada a severa identificada nos
primeiros meses de vida, nistagmo, respostas pupilares pobres e ERG extinto
ou muito diminuído. A partir do locus alterado são descritas 5 formas da
doença: Na maior parte dos casos a transmissão é de modo autossómico recessivo,
apesar de casos descritos com transmissão dominante, e a heterogeneidade
dos achados descritos na literatura reforça a impressão de que não de trata
de uma entidade única. São descritos vários achados associados à ACL,
oculares, renais e neurológicos entre outros. Critérios diagnósticos Alguns critérios são utilizados nos trabalhos publicados para caracterizar os pacientes com ACL:
Características clínicas oftalmológicas Durante os primeiros meses de vida os pacientes desenvolvem nistagmo ou "roving eyes". Os reflexos fotomotores freqüentemente encontram-se diminuídos ou abolidos, sendo também comuns o sinal oculodigital e o enoftalmo secundário. Na avaliação do paciente nos primeiros meses de vida a oftalmoscopia pode apresentar um aspecto normal, ou quase normal. Com o tempo é comum o aparecimento de outras alterações como atenuação vascular, atrofia NO (principalmente após 1ano); alterações pigmentares tipo espículas ósseas, acometimento macular tipo granular ou colobomatoso, lesões numulares pigmentadas de polo posterior e periferia. Lambert e cols. sugerem um subgrupo de pacientes com ACL, retardo mental, acuidade visual mais baixa e aparecimento mais precoce de alterações pigmentares tipo "espículas ósseas". A acuidade visual, quando pode ser avaliada, varia de 20/200 a ausência de percepção luminosa; raramente é melhor que 20/200 (6% 20/50 ou menor). O ERG apresenta-se extinto ou com amplitude diminuída nos componentes fotópico e escotópico, associado ou não ao PEV extinto ou com amplitude diminuída. Outros achados oculares são hipermetropia (em geral maior que 3D), estrabismo, ceratoglobo, catarata, ceratocone, blefarofimose, microcórnea, buftalmo, oftalmoplegia externa, fotofobia não relacionada às alterações corneanas.
Características clínicas neurológicas Não existe na literatura consenso quanto ao binómio disfunções do SNC e ACL. Tipicamente a criança com cegueira congénita apresenta hipotonia, atraso na aquisição dos marcos do desenvolvimento motor e dificuldades de orientação e mobilidade que podem resultar exclusivamente da privação sensorial em períodos críticos do desenvolvimento, sem outras disfunções associadas do SNC. Nos portadores de ACL, entretanto, embora estes sejam achados esperados devido à deficiência visual, são também descritos defeitos estruturais do SNC. Alguns destes achados não apresentam relação clara com o retardo mental, o atraso neuromotor ou ainda com o quadro oftalmoscópico - dilatação ventricular moderada, alargamento de sulcos, malformações cerebrais menores diversas - mas outras alterações são contudo mais importantes - hipoplasia do vermis cerebelar ou do cerebelo, encefalocele, micropoligiria e imaturidade de neurônios corticais . Inversamente, também são descritos portadores de ACL, inicialmente com diagnóstico de retardo mental que mais tarde demonstraram inteligência normal. Uma das implicações do acometimento neurológico e psicomotor na ACL diz respeito às suas possibilidades educacionais. Nickel e Hoyt constataram que apesar das alterações neurológicas encontradas elas não necessariamente determinam retardo mental ou impossibilidade de aprendizado. Todos os 31 pacientes de seu estudo eram "educáveis"sendo 1 portador de retardo mental, mas outros autores encontraram variabilidade quanto ao retardo psicomotor. Casteels e cols. constataram que dos 14 pacientes classificados como portadores de ACL, 10 apresentavam performance escolar normal com o Braille e 11 tinham desenvolvimento adequado para a idade. Os demais (3) apresentaram retardo psicomotor severo e alterações cerebelares que entretanto conduzem a outros diagnósticos - Sd. Joubert, Sd. Lhermitte-Duclos e malformação de Dandy-Walker. Noble e Carr encontraram em 1/3 de seus casos algum grau de retardo psicomotor enquanto Schroeder e cols. verificaram retardo mais severo que o esperado devido à deficiência visual; retardo mental estava presente em 23% do total de casos . Vaizey e cols. constataram retardo mental moderado a severo em 11 dos 21 pacientes avaliados (n=30) e Lambert e cols encontraram esta alteração em 13% de seus pacientes. Os resultados de Steinberg e cols. reforçam a hipótese de que os portadores de ACL são capazes de um funcionamento cognitivo normal, apesar de seu fraco desempenho em testes de QI, devendo por isso ser adequadamente estimulados e educados para o desenvolvimento de seu potencial. O valor do EEG para a documentação de lesões de SNC é questionável já que pacientes com deficiência visual importante podem apresentar padrões anormais; excepções são sinais focais ou desordem convulsiva documentada. O tipo de acometimento da retina e do SNC leva a pensar em alterações precoces desencadeadas por mecanismo idêntico e durante um mesmo estágio do desenvolvimento, geneticamente determinadas. Outros achados neurológicos descrito em associação à ACL são surdez (neurossensorial não especificada), autismo, disfunção neuromuscular, hemiparesia, microcefalia, convulsões, hidrocefalia. Evolução da acuidade visual Em estudos onde foi possível a avaliação seriada da acuidade visual pode-se observar melhora, piora e estabilidade, sem contudo um padrão definido de evolução. Fulton e cols. não encontraram associação estatisticamente significativa entre o curso da acuidade visual e dados clínicos como grau de hipermetropia, severidade das anormalidades de fundo de olho e "status"complicado/não complicado. Para se conhecer a acuidade visual - pontual ou sua evolução - de um portador de ACL, esta deve ser avaliada. Diagnóstico diferencial Uma vez que o mecanismo da doença ainda não é conhecido, a ACL é um diagnóstico de exclusão, além de não ser definitivamente um facto consumado. Alguns pacientes com diagnóstico inicial de ACL posteriormente recebem outros diagnósticos (cegueira nocturna estacionária congénita, acromatopsia, retinose pigmentar infantil, Sd. Joubert, Sd. Zellweger, Dç Refsum infantil, etc) , assim como o inverso também é descrito na literatura. Lambert e cols. e Casteels e cols ressaltam que crianças com diagnóstico de ACL devem ser observadas quanto a atraso no DNPM e caso este ocorra mais acentuadamente que o esperado pela deficiência visual outros diagnósticos devem ser pesquisados. Discussão A conduta junto ao paciente com ACL será norteada pela idade do paciente e pelo motivo que o levou à consulta - investigação de nistagmo (no 1° ano de vida), desatenção visual, atraso do desenvolvimento ou reabilitação a partir de um diagnóstico de ACL. Na avaliação visual destes pacientes quanto mais informações - subjectivas e objectivas - obtivermos sobre o seu status visual, mais subsídios teremos no planeamento da reabilitação e no acompanhamento da doença propriamente dita. A avaliação da acuidade visual, como já foi mencionado, é importante, apesar de nem sempre conseguirmos realizá-la com os testes de olhar preferencial ou tabelas de optotipos. Podemos entretanto avaliar o desempenho visual nestes casos, observando a atenção, o interesse por objectos apresentados, o acompanhamento de objectos, da face do examinador, contacto visual, respostas como o sorriso, percepção de objectos no espaço, etc. Em casos mais difíceis podemos proceder a avaliação à penumbra, com objectos iluminados ou com brilho. O restante da avaliação oftalmológica deve também ser o mais completa possível, devido aos achados oculares descritos na ACL que podem corroborar o diagnóstico, interferir no desempenho visual (ceratocone, alta hipermetropia, catarata, por exemplo) ou ainda que levem a outras hipóteses diagnósticas. Os exames electrofisiológicos são importantes, assim como exames de imagem do SNC, entretanto um ERG extinto não determina que a estimulação visual não seja indicada. Mais recentemente o potencial evocado visual de varredura (sweep VEP) vem sendo utilizado para a estimativa da acuidade visual em crianças, mas pode ser não confiável em pacientes com nistagmo ou com o eletroencefalograma muito alterados. Crianças com deficiência visual moderada a severa tendem a apresentar melhor acuidade visual quando avaliada pela técnica de olhar preferencial. Quanto às condutas médicas, além do tratamento de condições associadas (catarata, estrabismo, buftalmo, etc), é muito importante a atenção às ametropias presentes, principalmente a alta hipermetropia. Mesmo com respostas visuais pobres, a prescrição da correcção óptica deve ser considerada. Algumas vezes, se há uma dificuldade de acomodação podemos realizar uma hipercorrecção com a finalidade de estimulação para perto - principalmente nos bebés. A estimulação visual em geral não é realizada pelo oftalmologista, mas a orientação da família e o trabalho em parceria com o profissional responsável são essenciais. Diferentemente do adulto, onde as funções visuais já estão consolidadas, o lactente está num período crítico de desenvolvimento destas funções, que dependem de condições favoráveis para seu acontecimento. A criança aprende a ver com a experiência visual e é este sentido - a visão - o principal motivador do desenvolvimento global, especialmente o motor. Além de graves atrasos globais do desenvolvimento, o lactente com experiências visuais pobres pode ainda desenvolver mecanismos compensatórios indesejáveis como os maneirismos (sinal óculodigital, auto-estimulação sonora, desvios comportamentais), trabalhados também na estimulação. Na realidade o termo habilitação visual é mais apropriado no que diz respeito a este trabalho e quanto mais precoce seu início melhor serão o "outcome"dos portadores de ACL e seu funcionamento ao longo da vida. Nas demais faixas etárias o trabalho de reabilitação será pautado pela visão residual e pelas necessidades do paciente, o que também dependerá do seu nível cognitivo e dos resultados da estimulação precoce. Muitas vezes a visão muito baixa impossibilita o uso de recursos ópticos, sendo necessários recursos de substituição; o treino em orientação e mobilidade também deve ser lembrado. Como a ACL pode evoluir com piora das funções visuais as necessidades dos pacientes podem se modificar ao longo do tempo. Conclusão Pacientes com nistagmo, alterações do desempenho visual e sem alterações fundoscópicas podem ser portadores de ACL, mas este é um diagnóstico de exclusão. O ERG é importante no diagnóstico diferencial. Quanto à acuidade visual, apesar de seu importante comprometimento, deve ser sempre e repetidamente avaliada - não existe um padrão esperado de sua evolução. Quanto ao comprometimento do SNC não existe um consenso, mas algumas alterações estruturais podem ser efectivamente encontradas. Quanto à capacidade cognitiva, os portadores de ACL parecem ser
semelhantes a outras crianças com cegueira congénita e por isso devem ser
adequadamente habilitados, apesar de casos descritos de retardo mental em
graus variáveis. Dra. Flávia Guimarães Paschoalino CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia Síndrome de Laurence-Moon Bardet-Biedl [ LMBB ] Na verdade, trata-se de duas síndromes semelhantes e fáceis de serem confundidas num diagnostico clínico. A LMBB é uma doença complexa, que afeta várias partes do corpo, incluindo a retina. Ela aparece na infância, quando a retinose pigmentar é diagnosticada. Outros sintomas ajudam a definir essa síndrome:
Cerca da metade dos que são afetados por essa síndrome tem dificuldades de aprendizado e de desenvolvimento emocional, podendo apresentar em alguns casos, traços de atraso mental. A síndrome LMBB tem um padrão de herança do tipo autossômico recessivo. Ambos os pais nesse caso são portadores do gen da LMBB ao lado de um gene normal, o que faz com que a doença não se manifeste nos pais, mas seja transmitida aos filhos. Em cada gestação, os pais portadores do gene LMBB terão 25% de chances de terem um filho com LMBB. Para isso é necessário que os genes da LMBB dos pais se combinem na criança formando um par de genes com mutações anormais.
Doença de Refsum e atrofia girata A doença de Refsum e a atrofia girata são desordens metabólicas que envolvem entre
outros problemas a degeneração da retina. São tidas como doenças raras e podem ser
diagnosticadas na infância. A atrofia girata é também uma doença autossômica recessiva que também quebra o metabolismo do aminoácido no organismo. A doença inibe o metabolismo de um aminoácido conhecido como ornitina. Altos índices de ornitina no organismo são prejudiciais podendo causar cegueira noturna, miopia e catarata.
Doença de Stargardt
A Doença de Stargardt é a forma mais comum de degeneração macular juvenil congênita. A perda de visão progressiva associada à doença de Stargardt é causada pela morte de células fotorreceptoras na porção central da retina denominada mácula. A retina é o tecido sensível à luz que reveste o fundo do olho. As células fotorreceptoras da retina são responsáveis por proporcionar a visão pela transmissão de informações do campo visual para o cérebro. A mácula é responsável pela visão central de alta definição que nos permite realizar com clareza tarefas como ler, assistir televisão e identificar as expressões das pessoas. A diminuição da visão central é uma característica da doença de Stargardt. A visão lateral é geralmente preservada. A doença de Stargardt normalmente se desenvolve durante a infância e adolescência. Também está envolvida na doença de Stargardt uma região abaixo da mácula chamado a epitélio pigmentado da retina. O sintoma que leva a maioria das pessoas a um oftalmologista é a alteração na visão central. Um médico, ao olhar para a retina de uma pessoa com doença de Stargardt verá manchas amareladas características sob a mácula. Estas manchas podem se estender para fora em forma de anel. Estas manchas são depósitos de lipofuscina, um subproduto gorduroso da atividade celular normal. Na doença de Stargardt, a lipofuscina se acumula de forma anormal. Também ocorre a diminuição na percepção das cores. Isto porque as células fotorreceptoras responsáveis pela percepção de cor estão concentradas na mácula.
A progressão dos sintomas da doença de Stargardt é variável. A acuidade visual (a capacidade de distinguir detalhes e formas) pode diminuir lentamente no início, acelerar, e depois nivelar. Um estudo de 95 indivíduos com doença de Stargardt mostrou que uma vez a acuidade visual de 20/40 é atingida, há muitas vezes rápida progressão da perda de visão adicional até que atinja 20/200. (A visão normal é 20/20. Uma pessoa com 20/40 vê a 20 metros o que alguém com visão normal vê a 40 metros). Aos 50 anos, cerca de 50% das pessoas envolvidas no estudo tinham acuidade visual de 20/200 ou pior. Praticamente todos os pacientes com doença de Stargardt tem uma acuidade visual no intervalo de 20/200 a 20/400. A perda da visão não é corrigível com óculos de grau, lentes de contato ou cirurgia refrativa. Os pesquisadores estão planejando o estudo clínico de um tratamento que prevê uma versão saudável do gene ABCA4 nas células da retina para restabelecer a produção da proteína normal. Eles também estão otimistas com vários medicamentos que podem desacelerar a perda de visão, reduzindo o acúmulo da lipofuscina. últimos avanços aqui: Fighting Blindness Foundation, jan-2013 Como há evidências de que a luz solar pode influenciar no acúmulo da lipofuscina na retina, geralmente é recomendado o uso de óculos bloqueadores dos raios UV. Para as pessoas que já têm perda visual significativa, já existem ferramentas de acessibilidade disponíveis.
A doença de Stargardt é também conhecido como distrofia macular de Stargardt ou flavimaculatus fundus. Além da doença de Stargardt recessiva, existem outras formas mais raras herdadas com traços dominantes ao invés de recessivos.
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MJA Doença de Stargardt Dr. Eduardo Silva [Fac. Medicina - Universidade de Coimbra]
Em estádios mais precoces, a mácula apresenta discretas alterações a nível do EPR com aparecimento de manchas (flecks) amareladas, pisciformes na mácula, seguindo-se um padrão de bronze-batido relacionado com a generalização das alterações retinianas, atrofia do epitélio pigmentado da retina e dos fotorreceptores. A angiografia fluresceínica revela o característico silêncio coróideu. Esta doença, usualmente, tem um padrão hereditário autossómico recessivo associada a mutações no gene ABCA4 que codifica uma proteína transportadora, expressa na membrana externa dos cones e bastonetes. A disfunção do transportador ABCA4 resulta na acumulação de N-retinilideno-N-retiniletanolamina no EPR sob a forma de depósitos de lipofuscina, responsáveis pela destruição desta camada retiniana e degeneração dos fotorreceptores.
Actualmente, não há tratamento definitivo para a doença de Stargardt mas estudos promissores com Isotretinoina, N-(4-hidroxifenil) retinamida, retinilamida (Ret-NH2) e
terapia genética (Stargen) são as novas apostas futuras para o tratamento desta distrofia macular.
Fonte: Excertos Adaptados de Doenças Raras de A a Z - Eduardo Silva: FEDRA, 2010
Doença de Best A doença de Best é uma distrofia da mácula, que costuma aparecer na infância ou adolescência. Surge como um cisto amarelo que se forma sob o epitélio pigmentar da retina, uma camada que fica abaixo da mácula. Por vezes, o cisto rompe-se e espalha o líquido e os depósitos amarelos na mácula. Quando ocorre a ruptura do cisto, a mácula e o epitélio pigmentar da retina sofrem um processo de atrofia, que leva à perda da visão central. Diversamente de outras doenças degenerativas da retina, a doença de Best nem sempre afeta os dois olhos simultaneamente. O exame que se mostra alterado nestes casos é o eletro-oculograma, essencial para o diagnóstico. O padrão de herança dessa doença é do tipo autossômico dominante. Uma pessoa afetada pela doença de Best tem um gene dessa doença e um outro gene normal. Se tiver um filho com uma pessoa não afetada pode ter 50% de chance de passar a doença para a criança.
Síndrome de Usher A síndrome de Usher envolve uma série de doenças que têm em comum a presença de RP e variados graus de surdez. Temos três tipos de Usher:
A perda auditiva nessa síndrome se deve a problemas com as células nervosas da cóclea, situada na parte interna da orelha e que é responsável pela transmissão do som ao cérebro. O mesmo gene que produz alterações na cóclea afeta também as células fotoreceptoras da retina, levando à RP. Até o momento, não há tratamento que detenha a degeneração da retina ou restaure a audição de uma pessoa afetada pela síndrome. Em alguns casos, um implante de cóclea mostrou resultados positivos em pessoas com surdez profunda. Em muitos casos de surdez moderada, o uso de aparelhos de audição pode suprir a dificuldade auditiva. A síndrome de Usher é transmitida através de herança genética autossômica recessiva. Cada um dos pais de uma pessoa com Usher é portador de um gene normal e um gene da Usher. Quando os genes defeituosos de cada um dos pais se combinam numa criança, ela pode desenvolver a síndrome. Até o momento há nove genes localizados, cujas mutações produzem a síndrome de Usher. Dois deles foram isolados e clonados. A síndrome de Usher pode ser confundida com outras doenças que deixam sequelas na função auditiva, como a rubéola.
Sabe o que é a Síndrome de Usher? Walquiria Swaricz, Rute Bonfim
& Silvania Dias A Síndrome de Usher engloba características genéticas que implicam em perda auditiva e alterações visuais provocadas pela presença de retinose pigmentar É transmitida hereditariamente através de um caracter autossômico recessivo que afeta tanto o sexo masculino como o feminino . Existem três tipos de Síndrome de Usher , nos três casos os sujeitos serão reconhecidos legalmente como cegos.
Existem quatro tipos de Síndrome de Usher: USHER TIPO I Surdez profunda de nascimento e retinose pigmentar, cegueira noturna com perda de equilíbrio. USHER TIPO II Surdez leve a moderada, não progressiva com retinose pigmentar com início na puberdade, cegueira noturna e com perda de equilíbrio na maioria dos casos na fase adulta. USHER TIPO III Surdez neurosensorial congênita progressiva quer dizer nasceram com uma boa audição ou com ligeira perda, que aumenta gradativamente. Apresentam Retinose Pigmentar e cegueira noturna que aparece na infância, com perda de equilíbrio. USHER TIPO IV É um tipo mais raro , afeta apenas 10% da população acometida pela Síndrome de Usher. Por isso a importância de um diagnóstico precoce pois esta Síndrome compromete os dois sentidos considerados primordiais (visão e audição ) , pois acabam levando o indivíduo a cegueira total na maioria dos casos na fase adulta (a cegueira noturna só aparece com maior intensidade na infância e/ ou na adolescência ). Estatisticamente 10% da população mundial é portadora de algum tipo de deficiência. Por isso nos casos de qualquer sintoma relacionado à surdez e a visão precisamos estar atentos , para identificar a presença da Síndrome de Usher. Portanto, percebendo:
A Retinose Pigmentar pode ser encontrada em indivíduos que não são surdos, mas leva o indivíduo gradativamente a perda visual porque é progressiva e degenerativa. Então, o portador de Síndrome de Usher , assim como a família devem ser orientados quanto aos procedimentos de mobilidade e comunicação que deverão aos poucos sendo adoptados , seguindo a evolução da patologia. Com certeza necessita-se de um diagnóstico precoce e preciso sobre a Síndrome de Usher, porque falar de diagnóstico é falar de qualidade de vida. Necessita-se de uma equipe de profissionais para que possam desenvolver um bom trabalho com o portador da Síndrome de Usher: O objectivo deste informativo é levar ao indivíduo portador da Síndrome de Usher e a sua família a obter informação e o conhecimento dos recursos necessários ao trabalho de reabilitação, para que possam juntos e auxiliados por uma equipe participar ativamente na tomada de decisões sobre sua formação e seu futuro, integrando-se socialmente . Em nossa experiência os indivíduos pesquisados que freqüentam o Cresa - Centro de Reabilitação Sydnei Antonio, foram diagnosticados na faixa etária dos 10 aos 20 anos Todos são portadores de surdez e de perda visual onde a retinose pigmentar foi diagnosticada. Os procedimentos adoptados nesses casos foram:
Atendimento às necessidades iniciais:
Acompanhamento à família:
Síndrome de Usher, nossa experiência. Uma vez diagnosticada a Síndrome de Usher é imprescindível a união de todos os
componentes da equipe. É de fundamental importância oferecer aos alunos com Síndrome de
Usher a aprendizagem de todas as técnicas que lhes ajudem a manter sua autonomia e
integridade física e psíquica. O objectivo primordial é evitar que o nosso aluno,
torne-se dependente na medida que a perda visual aumente e sinta a imperiosa necessidade
de assistência permanente, por parte dos adultos ouvintes. Para isso creio ser
necessário que se informe ao aluno, o problema visual e o que deve ser feito conforme as
dificuldades venham surgindo. Resultados obtidos durante o processo.
Contacto e informações: Autoras:
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