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Cataratas



Cirurgia de catarata por facoemulsificação - vídeo de 8 minutos CCCVL

 

  1. Cataratas congénitas e adquiridas  Medipédia
  2. Cirurgia de Catarata  Dr. Rufino Silva
  3. Catarata congénita e infantil  Dr. Augusto Magalhães
  4. Catarata  Instituto da Visão
  5. Cirurgia de catarata com implante de lente multifocal 
    Dr. Joaquim Mira
  6. Cuidados pós-operatórios na cirurgia de catarata  Hospital Santa Maria Maior de Barcelos

Cataratas congénitas e adquiridas

Medipédia


O cristalino é constituído por uma cápsula externa elástica composta por células com um alto conteúdo aquoso, cuja específica disposição garante a transparência dessa estrutura, condição indispensável para a visão, já que os raios luminosos provenientes do exterior têm que atravessar o cristalino para chegarem à retina, onde são formadas as imagens que observamos. Por isso, qualquer alteração na disposição dos elementos que constituem o cristalino pode provocar a formação de uma zona opaca, mais ou menos extensa, independentemente de ser na parte central (catarata nuclear) ou na zona periférica (catarata cortical), com as consequentes repercussões sobre a visão.

Existem várias causas para a opacificação do cristalino. De facto, podem produzir-se cataratas congénitas, presentes desde o nascimento, devido a alterações genéticas que determinam um desenvolvimento defeituoso do cristalino ou uma alteração da sua formação, consequente de uma doença infecciosa sofrida pela mãe ao longo dos primeiros meses de gravidez, como a rubéola ou a toxoplasmose, ou até através da utilização de determinados medicamentos ou de uma desnutrição grave durante esse período.

Ao longo da vida, existem vários factores que podem originar a formação de cataratas adquiridas. Por um lado, pode desenvolver-se enquanto complicação de algumas doenças gerais, como a diabetes, a gota ou o hipotiroidismo. Por outro lado, o problema pode ser provocado por um traumatismo ocular, uma exposição a raios (raios X, raios infravermelhos, raios gama), uma intoxicação com várias substâncias ou um tratamento prolongado com corticóides, enquanto que a utilização prolongada de anti-inflamatórios potentes de determinadas doses provoca o desenvolvimento de cataratas como efeito secundário.

Contudo, a maioria das cataratas surge na velhice, originadas pelas transformações sofridas pelo cristalino ao longo dos anos, fundamentalmente devido a uma perda do seu conteúdo aquoso e à condensação das suas fibras, designando-se cataratas senis, sendo particularmente comuns a partir dos 60 anos. Para além disso, considera-se que todos aqueles que viverem muitos anos podem ser afectados por este problema.


Manifestações e evolução

A principal repercussão das cataratas é a diminuição da visão, de maior ou menor grau, de acordo com a localização e extensão das opacidades.

De facto, uma opacidade desenvolvida na zona central do cristalino, impedindo a passagem dos raios luminosos para a zona mais sensível da retina, provoca uma diminuição da acuidade visual muito mais evidente do que uma catarata na zona periférica do cristalino.

Caso a opacidade se estenda a toda a lente, provoca a total perda de visão do olho afectado. De qualquer forma, como o desenvolvimento da opacidade costuma ser gradual, a diminuição da visão é progressiva.

Todavia, visto que na maioria dos casos ambos os olhos são afectados, ainda que seja, muitas vezes, primeiro um e, ao fim de um determinado período de tempo, o outro, o problema provoca sérias repercussões nas fases avançadas.

Em caso de cataratas congénitas, as consequências manifestam-se imediatamente após o momento do nascimento ou ao longo dos primeiros meses de vida. Como estas cataratas costumam ser totais, não estimulam as vias visuais, o que origina, a menos que se efectue o oportuno tratamento, uma cegueira irreversível.

As cataratas adquiridas, sobretudo em caso de cataratas senis, costumam evidenciar alguns sinais e sintomas que precedem a perda da visão. De facto, ao longo das primeiras fases de desenvolvimento costuma manifestar-se uma visão turva e a percepção de coroas de cores à volta das luzes. Para além disso, o aumento da densidade do cristalino multiplica o poder de refracção da lente, causando grandes dificuldades na visão ao longe, uma miopia progressiva, que ocasionalmente compensa uma anterior hipermetropia ou as dificuldades da visão ao perto próprias da idade (presbiopia). Todavia, à medida que a opacidade se vai irradiando, a visão vai ficando cada vez mais deteriorada e, embora raramente provoque a cegueira total, pode dificultar bastante a vida quotidiana.


Tratamento

O único tratamento possível consiste na cirurgia, já que apenas se consegue recuperar a visão através da remoção do cristalino opaco e da substituição do seu poder de refracção mediante a colocação de uma lente intra-ocular, a utilização de lentes de contacto ou de óculos especiais. Todavia, o momento ideal para a realização da intervenção depende do grau de dificuldade visual provocado pelo problema e da exigência visual implicada pelas actividades habituais do paciente. Caso as tarefas efectuadas pelo paciente no seu trabalho ou tempos livres necessitem de uma visão muito precisa, a operação deve ser realizada quando a catarata ainda é pequena, podendo ser realizada um pouco mais tarde, caso a vida quotidiana do paciente não necessite de uma visão muito detalhada.

Enquanto se aguarda pelo momento em que a operação é inevitável, pode-se prevenir uma eventual miopia com a utilização de óculos. Para além disso, é possível melhorar a visão através de condições de iluminação adequadas. Se a catarata for periférica, deve-se situar a fonte luminosa num dos lados ou ligeiramente por trás da cabeça, para que a pupila se mantenha mais dilatada, embora também se possa recorrer à administração de colírios ou à utilização de óculos escuros. De qualquer forma, como a evolução das cataratas é contínua, e tendo em conta que normalmente afecta ambos os olhos, a realização da cirurgia é inevitável.

Embora existam inúmeras técnicas cirúrgicas, que devem ser seleccionadas de acordo com cada caso específico, normalmente são intervenções pouco perigosas que podem ser realizadas nos idosos, com excelentes resultados na grande maioria dos casos.


Fonte: Medipédia - IPN, Coimbra 


Actualizado por MJA [14-Jun-11]


Cirurgia de Catarata

Rufino Silva

[Chefe de Serviço de Oftalmologia nos
Hospitais da Universidade de Coimbra]

 

  1. O que é uma catarata?
  2. O que causa a catarata?
  3. Em quanto tempo se desenvolve uma catarata?
  4. Como se detecta uma catarata?
  5. Quando deve ser feita uma cirurgia?
  6. O que devo esperar da cirurgia da catarata?
  7. Conclusão


1. O que é uma catarata?

Uma catarata é uma diminuição da transparência do cristalino (a lente normalmente transparente do olho). Pode ser comparada a uma janela que é coberta de geada ou embaciada com vapor.

Há muitas ideias erradas a respeito da catarata.

A catarata:

  • não é uma película sobre o olho;
  • não é causada por uso excessivo da visão;
  • não é um cancro;
  • não passa de um olho para o outro;
  • não causa de cegueira irreversível.


Os sintomas comuns da catarata incluem:

  • embaciamento indolor da visão;
  • ofuscação ou sensibilidade à luz;
  • mudança frequente de receita para óculos;
  • dupla visão num olho;
  • necessidade de luz mais forte para leitura;
  • fraca visão nocturna;
  • cores pouco nítidas.

Podem variar a quantidade e o padrão de enevoamento dentro da lente. Se este embaciamento não estiver próximo ao centro da lente, poderá não ter consciência da presença duma catarata.


2. O que causa a catarata?

O tipo mais comum de catarata está relacionado com o envelhecimento do olho. Entre as outras causas da catarata estão:

  • história familiar;
  • problemas médicos tais como diabetes;
  • lesão ocular;
  • medicamentos, tais como esteróides;
  • cirurgia ocular prévia.


3. Em quanto tempo se desenvolve uma catarata?

A rapidez da evolução da catarata varia entre as pessoas e pode até mesmo variar entre os dois olhos. A maior parte das cataratas associadas com o envelhecimento progride gradualmente durante vários anos

Outras cataratas, particularmente em pessoas mais jovens e as portadoras de diabetes, podem avançar rapidamente no espaço de alguns meses, levando a uma deterioração da visão. Não é possível fazer uma previsão exacta do tempo do desenvolvimento das cataratas em determinado indivíduo.

A cirurgia constitui o único meio ao qual o seu oftalmologista pode recorrer para retirar a catarata. Contudo, se os sintomas da catarata forem brandos, é possível que melhore a sua visão apenas com a mudança de óculos.

Não há nenhum medicamento, suplemento dietético, exercício ou dispositivo óptico comprovadamente capaz de prevenir ou curar a catarata.


4. Como se detecta uma catarata?

Um cuidadoso exame feito pelo seu oftalmologista, pode detectar a presença e extensão de uma catarata, assim como de outras condições que estejam a produzir visão baça ou desconforto.

Pode haver outra razões para a perda visual além da catarata, sobretudo problemas no que diz respeito à retina ou ao nervo óptico. Caso tais problemas estejam presentes, a visão perfeita pode não ser recuperada após a remoção da catarata.


5. Quando deve ser feita uma cirurgia?

A cirurgia da catarata deve ser considerada quando as cataratas provocam tamanha perda de visão que as actividades quotidianas são prejudicadas. Ao formar-se uma catarata a lente do olho torna-se espessa e enevoada. A luz não consegue atravessá-la com facilidade e a visão torna-se baça.

Não é verdade que as cataratas precisem de estar "maduras" para poderem ser retiradas.

A cirurgia da catarata pode ser feita quando as suas necessidades visuais assim o exijam. O doente é que tem de decidir se consegue ver para executar os seus deveres, conduzir com segurança, ler e ver televisão com conforto. Consegue desempenhar as tarefas do dia a dia tais como cozinhar, fazer as compras, trabalhar no jardim e tomar os seus remédios sem dificuldade?

Baseado nos seus sintomas, você e o seu oftalmologista devem decidir em conjunto sobre a data mais conveniente para a cirurgia.


6. O que devo esperar da cirurgia da catarata?

Durante a cirurgia de catarata, retira-se a lente enevoada do olho. A potência de enfoque da lente natural é restaurada substituindo-a por um implante de lente intra-ocular. O seu oftalmologista faz esta operação delicada valendo-se de um microscópio, instrumentos miniaturizados e outros tipos de dispositivos da tecnologia moderna.

Embora a crença seja amplamente difundida, não se usa o laser para tirar cataratas.

Em aproximadamente um quinto das pessoas que se submetem à cirurgia de catarata, a cápsula natural que apoia a lente intra-ocular torna-se enevoada. A finalidade da cirurgia a laser é de abrir esta cápsula enevoada para restaurar a visão.

Após a cirurgia da catarata, pode retomar quase imediatamente todas as suas actividades, menos as mais cansativas. Precisará usar colírio segundo as instruções do seu oftalmologista.

São necessárias várias consultas pós-operatórias para auferir o progresso do olho à medida que se vai recuperando.

A cirurgia de catarata é um procedimento altamente bem sucedido. Em mais de 90% dos casos, o resultado é a visão melhorada, a não ser que haja algum problema com a córnea, retina ou nervo óptico. É importante entender que podem ocorrer complicações durante ou depois da cirurgia, algumas graves o suficiente para limitar a visão. Assim como em qualquer outra cirurgia, não há como garantir um bom resultado.


7. Conclusão

A catarata é uma causa comum de má visão, especialmente entre os mais idosos, porém é tratável. O seu oftalmologista poderá indicar-lhe se a catarata ou qualquer outro problema é responsável pela perda de visão ou desconforto e ajudá-lo-á a decidir se a cirurgia de catarata é indicada para o seu caso.


Fonte: Rufino Silva - Clínica Oftalmológica, 2011


Actualizado por MJA [14-Jun-11]


Catarata congénita e catarata infantil

Dr. Augusto Magalhães

[Assistente Hospitalar Graduado
Serviço de Oftalmologia do Hospital de São João, Porto]


Chama-se catarata a qualquer opacificação do cristalino. Sendo o cristalino a lente natural do olho, facilmente se percebe o prejuízo visual que uma catarata pode provocar.

As cataratas são uma alteração típica do idoso, ocorrendo de forma natural pelo efeito cumulativo da exposição à luz. No entanto podem surgir em qualquer idade. Nas crianças podem estar presentes ao nascimento - catarata congénita, ou desenvolver-se durante a infância – catarata infantil ou juvenil. Nestes casos habitualmente estão associadas a outras doenças.

A forma de avaliar e tratar uma catarata congénita ou infantil é completamente diferente da do adulto. A catarata congénita/infantil é a forma mais grave de catarata devido ao seu potencial para impedir o normal desenvolvimento da visão!

A catarata congénita quando provoca obstrução do eixo visual implica sempre uma intervenção rápida, de preferência entre o primeiro e o segundo meses de vida. É neste período que o córtex cerebral desenvolve toda a sua funcionalidade. Se a imagem que lhe chega nos primeiros 3 ou 4 meses de vida for de má qualidade a visão cerebral ficará prejudicada de forma grave e irreversível.

A catarata congénita é muito frequente? É uma causa importante de cegueira?

A incidência da catarata congénita é de 1,2 a 6 por 10.000 e é responsável por 5-20% dos casos de cegueira em todo o mundo e por 10% de todos os casos de cegueira infantil. Em 64% dos casos está presente nos dois olhos.

Em quase dois terços dos casos (63%) de catarata congénita/infantil não é possível encontrar uma causa mesmo após uma investigação clínica rigorosa. Em 29% dos casos existe uma causa genética; podem ser hereditárias ou estar associadas a síndromes e/ou anomalias cromossómicas. As infecções intra-uterinas (sobretudo a rubéola) podem também ser causa de catarata congénita.

A catarata pode ainda associar-se a outras anomalias oculares como a aniridia, os colobomas e a persistência da vascularização fetal.


Causas principais causas de catarata na infância:
 

METABOLICAS
 
ANOMALIAS
SISTÉMICAS
 
SINDROMES
DISMORFICOS
 
INFECÇÕES
INTRA-UTERINAS
 
Galactosemia Trissomia 21 Sindrome de Nance Horan Toxoplasmose
Deficiência de
Galactokinase
Sindrome
de Turner
Sindrome de
Hallermann-Strieff
CMV
Hipocalcemia Trissomia 13 Sindrome de Lowe Herpes
Hipoglicemia Trissomia18 Sindrome de Conradi
(condrodisplasia rizomélica)
Varicela
Manosidose Sindrome
“Cri du chat”
Doenças do peroxisoma Sífilis
Hiperferritinemia   Sindrome Martsolf Rubéola
    Sindrome COFS  

 
A catarata pode ser detectada pela alteração do reflexo vermelho do olho. Perante uma alteração do aspecto róseo e uniforme do reflexo, a criança deve ser referenciada com urgência ao Oftalmologista.

A alteração do reflexo vermelho depende da MORFOLOGIA da catarata, a qual tem um largo espectro de apresentação. Vai desde uma pequena opacidade da cápsula anterior (pequena mancha do reflexo) até uma opacidade total (ausência de reflexo ou leucocória se a opacidade adquirir um aspecto branco). Quanto maior e/ou mais posterior for a opacificação do cristalino maior será a repercussão funcional e mais urgente deve ser a intervenção do Oftalmologista.


TRATAMENTO

Depende da repercussão funcional da catarata. Na presença de diminuição importante da Acuidade Visual por obstrução importante do eixo visual o tratamento é cirúrgico e deve ser efectuado o mais precocemente possível antes que se instale nistagmo e estrabismo.


Fonte: Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo, 2011


Actualizado por MJA [14-Jun-11]


Catarata

Instituto da Visão


1. O que é a catarata?

Catarata é a denominação dada a qualquer opacidade do cristalino, que não necessariamente afecte a visão. É a maior causa de cegueira tratável nos países em desenvolvimento.

Podemos classificar as cataratas em: congénitas, de aparecimento precoce ou tardias, e adquiridas, onde incluímos todas as demais formas de catarata, inclusive a relacionada à idade. De acordo com sua localização, poderá ser nuclear, cortical ou subcapsular e de acordo com o grau de opacidade, poderá receber a denominação de incipiente, madura ou hipermadura, ou ser classificada em graduação de I-IV de acordo com sua opalescência e coloração.


2. Quais os factores de risco para catarata?

As causas não estão bem definidas, porém estudos epidemiológicos revela associação de catarata a idade. Assim, estima-se que 10% da população norte-americana têm catarata e que esta prevalência aumenta em 50% no grupo etário de 65 a 74 anos, enquanto em pessoas acima de 75 anos, a incidência aumenta para 75%.

Inúmeros factores de risco podem provocar ou acelerar o aparecimento da catarata:

  • Medicamentos (corticosteróides)

  • Substanciam tóxicas (nicotina)

  • Doenças metabólicas (diabetes Mileto, galactosemias, hipocalcemia, hipertiroidismo, doenças renais

  • Traumas

  • Radiações (UV, raios-X, e outras)

  • Doença ocular (alta miopia, uveite, pseudoesfolição)

  • Cirurgia intra-ocular prévia (fistula antiglaucomatosa, vitrectomia posterior)

  • Infecção durante a gravidez (toxoplasmose, rubéola)

  • Fatores nutricionais


3. Como se faz o diagnóstico de catarata?

Devemos associar a queixa subjetiva do paciente aos sinais objetivos do exame oftalmológico. As queixas mais freqüentes são:

  • Diminuição da acuidade visual
  • Sensação de visão “nublada ou enevoada”
  • Sensibilidade maior à luz
  • Alteração da visão de cores
  • Mudança freqüente na refração
  • Visão dupla


Os sinais objetivos encontrados no exame oftalmológico de rotina são: perda da acuidade visual, mensurada geralmente pela Tabela de Snellen e alteração da transparência do cristalino na biomicroscopia do segmento anterior em midríase, em exame realizado em lâmpada de fenda.


4. Quais são as indicações para cirurgia?

a) Melhora visual:
É a indicação mais comum, principalmente a visão para longe. A cirurgia é indicada apenas se, e quando, a catarata se desenvolve a um grau suficiente que dificulte a realização de actividades diárias essenciais. Se o paciente deseja dirigir ou continuar exercendo uma determinada profissão, a função visual abaixo dos níveis legalmente prescritos pode necessitar a cirurgia de catarata.

b) Indicações médicas:
São aquelas em que a catarata esta afectando adversamente a saúde ocular, por exemplo, o glaucoma facolítico ou o glaucoma facomórfico. A cirurgia de catarata para melhorar a transparência dos meios oculares também pode ser necessária no contexto de patologias do fundo de olho (p. ex. retinopatia diabética) que requer o monitoramento ou tratamento com fotocoagulação a laser.

c) Indicações estéticas
Quando uma catarata madura é removida de um olho que já está cego somente para restaurar a pupila negra.

d) Indicação refractiva
É uma indicação controversa, devido ao risco/beneficio. A cirurgia é realizada para mudar a ametropia do paciente, geralmente para graus elevados ou pacientes que já apresentam presbiopia e queiram implantar uma lente multifocal.


5. Quais são os exames complementares antes da cirurgia?

Ao indicar a terapêutica cirúrgica, eles são essenciais no planeamento cirúrgico e pesquisa de doenças associadas, bem como a técnica a ser empregada e o seu momento adequado.

Biomicroscopia do segmento anterior:
Exame fundamental para detectar a presença, localização e extensão das opacidades cristalinianas, bem com para detectar possíveis fragilidades de zonular e/ou ectopias ou luxação do cristalino, sinais de inflamação intra-ocular e avaliação da higidez da córnea, íris, e ângulo da câmara anterior.
Tonometria de aplanação:
Exame ideal para medir a pressão intra-ocular. Se ela estiver alterada, outros exames deverão se solicitados, a fim de se esclarecer se existe ou não um glaucoma associado.
Biometria:
Cujo objetivo principal é a mediada do comprimento axial do globo ocular, imprescindível para o calculo do valor dioptrico da lente intra-ocular. Poderá ser realizado pelo método do ultra-som, de contato ou imersão, e pela interferometria laser.
Mapeamento de retina ou oftalmoscopia indireta:
Indicada para avaliar o complexo vitreoretiniano, a fim de detectar possíveis doenças e/ou fatores de risco que possam comprometer o resultado terapêutico. É realizado sempre que os meios transparentes do globo ocular o permitam.
Topografia corneana:
Método mais acurado do que a tradicional ceratometria, para determinar o valor da curvatura da córnea(K) e importante para o calculo da lente intra-ocular. A topografia é recomendável em situações especiais, como nos casos de pacientes já previamente submetidos a cirurgia refrativa corneanas, bem como será útil para o controle do astigmatismo no pós–operatório, principalmente nos casos de cirurgias combinadas de catarata e transplante de córnea, catarata e astigmatismo, cirurgias extracapsulares. Muito útil também para determinar o local da incisão.
Ecografia B ou ultra-sonografia do globo ocular:
Obrigatório quando há opacificação total dos meios transparentes do globo ocular com o objetivo de avaliar o segmento posterior, ou seja, cavidade vítrea, retina, coróide e nervo óptico. Sua indicação é justificável nos olhos com comprimento axial estremo olhos pequenos ou altos hipermetropes e olhos grandes ou alto míopes.
Microscopia especular:
Avalia o endotélio corneano, de cuja capacidade funcional depende a transparência da córnea. Ideal e fundamental no pré-operatório, pois define a técnica e a estratégia cirúrgica a serem empregadas. Também é utilizada no acompanhamento pós-operatório de cirurgia tríplice (catarata,implante LIO e transplante).
Teste de sensibilidade ao contraste:
Útil em olhos com catarata incipiente, porem, sintomática. Situações em que a visão medida na Tabela de Snellen se mostra normal ou próxima do normal, porem o paciente apresenta queixa de alteração no desempenho visual, quando varia a iluminação no dia-a-dia ou em determinadas profissões.
PAM:
Para avaliar o potencial de visão macular, mesmo através de meios opacos.


6. Quais os tipos de lentes intra-oculares

Uma lente intra-ocular (LIO) consiste da zona óptica (o elemento central refractivo) e das alças, que se acomodam com as estruturas oculares, dessa forma, gerando uma posição correcta e estável.

A cirurgia moderna de catarata, com a preservação do saco capsular, consegue posicionar uma LIO no local ideal (in the bag). Uma cirurgia complicada, com ruptura da cápsula posterior, pode, entretanto, necessitar de posicionamento alternativo da LIO, na câmara anterior, com alças no ângulo da câmara ou presos à íris ou na câmara posterior, com alças  no sulco ciliar, podendo ser amarrada à esclera (fixação escleral).

Os modelos são diversos e continuam evoluindo. As lentes podem ser rígidas (polimetilmetacrilato) ou flexíveis (silicone, acrílico, hidrogel, etc.). Uma LIO rígida requer uma incisão maior do que o diâmetro da zona óptica, geralmente 5 a 7 mm, para inserção. Uma LIO flexível, entretanto pode ser dobrada e inserida através de uma incisão muito menos. As zonas ópticas podem ter diferentes tamanhos e formas. As LIOs convencionais são monofocais, mas existem as lentes multifocais, que permitem a visão a diferentes distâncias.


7. Quais os tipos de anestesia?

A anestesia local é a forma mais usada de anestesia para cirurgia de catarata. A anestesia tópica Ideal para facoemulsificação através de incisão auto selante corneana, por se tratar de técnica cirúrgica mais rápida, atraumática e com melhor posicionamento do globo ocular. A efectividade e a praticidade da anestesia tópica já estão comprovadas, mas a selecção dos pacientes deve ser cuidadosa e a sedação ou anestesia suplementar podem ser necessárias.


8. Quais os tipos de cirurgias da catarata?

Extracção Extracapsular
Requer uma incisão límbica circunferencial relativamente maior (8 a 10 mm), através da qual o núcleo do cristalino é extraído inteiro e o material cortical aspirado, mantendo intacta a cápsula posterior. Nesta técnica são necessários vários pontos para fechar a incisão e a recuperação cirúrgica e visual é mais demorada. A LIO é, depois, inserida. Esta cirurgia é raramente indicada ou quando há complicações na técnica de facoemulsificação.

Facoemulsificação
É o método preferencial de extracção da catarata na última década. Uma agulha de orifício pequeno, normalmente de titânio, acoplada a uma caneta contendo um cristal piezoelétrico, vibra longitudinalmente em frequências ultra-sónicas. A ponteira é aplicada sobre o núcleo do cristalino; a cavitação ocorre na ponteira, conforme o núcleo é emulsificado; um sistema de irrigação/aspiração remove o material emulsificado do olho. A LIO é então inserida (sendo dobrada) ou injectada através de uma incisão muito menor do que na (EECC). A menor incisão faz com que a cirurgia seja mais segura, já que a descompressão do olho é evitada. O procedimento está associado a pouco astigmatismo pós-operatório, recuperação e estabilização da refração mais precoce.


9. A cirurgia de catarata está indicada para mim?

Este tipo de cirurgia tem sucesso de 95% em pacientes com olhos saudáveis. Mas nenhuma cirurgia é livre de risco. Embora complicações graves não sejam comuns, quando elas ocorrem podem levar à perda de algum grau de visão.

Se você tem catarata nos 2 olhos, o melhor é esperar a recuperação do primeiro olho para poder operar o segundo. Se você tem apenas um olho com boa visão, deve pesar os riscos e benefícios da cirurgia. Você poderá ter a decisão correcta se for bem orientado sobre os prós e contras de fazer a cirurgia. Peça a seu médico para explicar tudo que você não entendeu. Não pode haver nenhuma dúvida quando se trata de cuidados médicos. Aqui estão algumas questões que você deve esclarecer:

> Eu necessito da cirurgia agora?
> Se não, quanto tempo posso esperar?
> Quais são os meus riscos pessoais?
> Quais os benefícios que eu posso esperar?
> Se eu optar pela cirurgia, qual a melhor para mim?
> Qual a melhor lente que devo escolher?


10. Quais os riscos e benefícios da cirurgia?
 

  • Melhora as actividades diárias
    - dirigir
    - leitura
    - trabalhar
    - movimentar-se
  • Beneficia as actividades sociais
    - hobbies
    - segurança
    - auto-confiança
    - independência


Complicações possíveis :

  • Aumento da pressão intra-ocular
  • Sangramento
  • Infecção
  • Deslocamento da lente intra-ocular
  • Queda da pálpebra
  • Descolamento de retina
  • Edema de córnea


Fonte: Instituto da Visão, RP - Brasil, 2008


Actualizado por MJA [14-Jun-11]


Cirurgia de catarata com implante
de lente progressiva (multifocal)

Dr. Joaquim Mira

[Médico Oftalmologista nos
Hospitais da Universidade de Coimbra]


Até há pouco tempo as lentes intra-oculares, que se utilizavam com sucesso após a extracção da catarata, eram lentes monofocais. Assim, se a pessoa ficava a ver bem ao longe sem óculos, precisava de óculos para ver ao perto e para ler. Se ficava a ver bem ao perto sem óculos, precisava de óculos para ver à distância.

Num estudo em que implantei 86 destas lentes em 60 doentes operados à catarata, com anestesia local, pela técnica de microincisão, 80% destes olhos obtiveram visão nítida à distância e ao perto sem óculos. Cerca de 15% necessitaram de usar óculos temporariamente mas por erro no cálculo da lente intra-ocular, contudo, as lentes dos óculos não tiveram de ser progressivas. Os doentes não apresentaram queixas de perturbações visuais diurnas nem nocturnas, tendo ficado a grande maioria muito satisfeitos.

As lentes multifocais não podem ser utilizadas em todos os doentes operados à catarata, pois devem ser excluídas as pessoas com doenças na retina, algumas patologias oculares, astigmatismo e no caso de cirurgia complicada.

Cerca de 50% das pessoas operadas à catarata beneficiam se for utilizada uma lente multifocal, uma vez que possibilita uma boa visão ao longe e ao perto sem óculos melhorando a sua qualidade de vida.


Fonte: Clínica Oftalmológica Joaquim Mira, 2010


Actualizado por MJA [14-Jun-11]


Cuidados pós-operatórios
na cirurgia de catarata

Unidade de Cirurgia de Ambulatório do
Hospital Santa Maria Maior de Barcelos


No dia seguinte à operação pode destapar o olho. É normal verificar-se uma pequena turvação inicial, mas esta vai desaparecendo. Coloque as gotas no horário adequado.


Cuidados a ter durante uma semana:

  • evitar dormir para o lado do olho operado;

  • não baixar a cabeça abaixo da cintura (aumenta a pressão ocular);

  • não realizar esforços ou movimentos bruscos (risco de deslocar a lente);

  • aplicar a medicação ocular conforme foi prescrita pelo médico;

  • lavar bem as mãos antes de aplicar a medicação (evitar infecções);

  • não tocar no olho operado (risco de infecção e deslocamento da lente);

  • manter o protector ocular para dormir (evita magoar acidentalmente o olho);

  • não cozinhar (os vapores são irritantes para o olho);

  • evitar tarefas e ambientes em que esteja exposto a pó e contacto com animais (risco de inflamação, infecção);


Contactar médico se:

dor ocular intensa;
rubor ocular intenso;
visão que estava a melhorar voltou a piorar;
tiver algum trauma no olho;
 

Terapêutica pós operatória para o olho operado - Exemplo de protocolo:

xxx - 1 gota de 2 em 2h
yyy - 1 gota de 2 em 2h
zzz - 1 gota de 4 em 4h

As gotas iniciam-se logo que retira o penso. Não é preciso aplicar gotas no período de sono.

A partir do 3.º dia as gotas passam a 4 vezes ao dia:

xxx - 1 gota de 4 em 4h - ex. 8h, 12h, 16h, 20h
yyy - 1 gota de 4 em 4h - ex. 8h, 12h, 16h, 20h
zzz - 1 gota de 4 em 4h - ex. 8h, 12h, 16h, 20h

Não é preciso aplicar gotas no período de sono.


O que pode e não pode fazer após a cirurgia:

Pode ver televisão, ler livros, usar o computador. Convém utilizar óculos de sol na rua se o tempo estiver de sol, senão não vale a pena.

Não pode:

  • não pode fazer esforços físicos tais como fazer a cama ou ir para o campo trabalhar (sachar, jardinar, etc.)

  • não pode fazer movimentos bruscos

  • não pode baixar a cabeça por exemplo para apertar os atacadores dos sapatos

  • não pode pegar em pesos, nem sacos de compras

  • deve evitar ambientes poluídos e tarefas que envolvam poeiras ou vapores.


Fonte: EnfermagemPT, 2008


Actualizado por MJA
[14-Jun-11]